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PORQUE A MEMORIA DE UM POVO NAO E NECESSARIAMENTE POPULAR... PAR TRAD MAGAZINE
PORQUE A MEMÓRIA DE UM POVO NÃO É NECESSARIAMENTE POPULAR…
Entrevista com Patrick Frémeaux por Claude Ribouillault para Trad Magazine (100o número, Março 2005)
Éprovável que tenha visto alguma das caixas de discos produzidas por Frémeaux & Associés. Cada uma constitui um livro de referência sobre um capítulo da cultura musical, histórica e/ou geográfica. Em Patrick Frémeaux encontrámos um visionário construtivo que, tijolo após tijolo, construiu à sua maneira o que deve ser considerado um monumento à cultura audio.

Uma companhia… e uma vocação cultural
No seu todo, as caixas produzidas pela Frémeaux & Associés situam-se, em relação à sua concepção global, no campo de um trabalho genuinamente editorial. A selecção de alguns produtos recai na escolha, a de outros depende da oportunidade. Obtém-se assim um corpus com uma coerência total, que poderia constituir uma memória colectiva, uma herança auditiva, musical e falada para a humanidade. Ou seja que, perante cada novo trabalho, a equipa pondera a sua viabilidade dentro do projecto de publicações. O produto é assim apresentado, comercial e fundamentalmente, como uma colecção da qual já constam bastantes items. [Comercial e fundamentalmente, o efeito de colecção aparece, por definição, com grande parte dos items propostos]. O catálogo – uns 800 discos – é substancial para um gerente/fundador de 38 anos, e mais de 20 anos da companhia… A Frémeaux & Associés vende à volta de um milhão de discos anualmente, mas se alguns albuns vendem vários milhares por ano,outros quase não atingem os 400 em dez anos… Patrick Frémeaux tem precisado de uma espécie de fé profundamente enraizada para impôr nas lojas este tipo de produto – caixas de um ou vários CDs com um livrinho detalhado, contendo música, histórias, canções,discursos, romances… E esta fé continua bem viva.
Textos, discursos, música…
As fontes utilizadas são numerosas – colecções fonográficas, gravações públicas ou privadas. O banco de dados do I.N.A (Biblioteca Francesa de Obras Audiovisuais) é um exemplo, e, como tal, é da maior importância do ponto de vista social, societal, cultural e musicológico. Na verdade, a palavra falada e os discursos ocupam tanto espaço nas produções da Frémeaux como a própria música. L’Etranger de Camus lido por Camus ou as gravações históricas de Celine, os discursos do General de Gaulle, a Contre histoire de la Philosophie de Michel Onfray (200,000 discos vendidos!) oferecem uma abordagem sensorial diferente de textos e pensamento. Remonta à nossa infância, aos contos, à vivência oral em geral. Há uma percepção renovada do veículo de transmissão dos textos, do conhecimento e da emoção. Não obstante, a música popular (e não só “popular”) tem um lugar fundamental no catálogo. A companhia começou com uma caixa de discos, O Acordeão Vol. 1, co-publicada com a Discothèque des Halles, a primeira “Biblioteca da Cidade de Paris”. A história musicológica e popular da capital que foi o ponto de foco. A ideia original nessa caixa dedicada ao acordeão era a de apresentá-la como poderiam ter sido apresentados o Samba no Rio de Janeiro ou o Tango em Buenos Aires. O êxito foi imediato, muito importante, a tal ponto que todas as grandes companhias fizeram também, uns anos mais tarde, pelo menos uma compilação sobre o tema. Em todo o caso, foi esta iniciativa que lançou a Frémeaux & Associés. Depois, as produções aumentaram naturalmente na companhia de Frémeaux, persistindo ainda a vontade de defender primeiro as culturas que não podem defender-se. Por exemplo, nos Estados Unidos, por muito estranho que possa parecer, a história do disco americano não está tratada pelos próprios americanos, apesar da existência de algumas colecções notáveis (Smithsonian Institute, Alan Lomax…). “Não é”, diz Patrick Frémeaux, “um país de história, especialmente da história mais recente. Com numerosos trabalhos e temas colocámo-nos inesperadamente no ‘número um’ das vendas nos EUA… Graças tanto a alguns pesquisadores que se associaram a nós, como a coleccionadores, tem sido possível produzir volumes documentados. Com efeito, todas as nossas caixas vêm acompanhadas de livrinhos, ferramentas documentais críticas, que pretendem ser estudos genuínos de temas ou de pontos de vista originais.” Em toda a parte, a música tradicional e a popular precisam de ser melhor “informadas” e conhecidas, melhor compreendidas nas suas raízes, nas suas influências e nas suas evoluções…
A teoria da difusão de música pelos caminhos fluviais do mundo
Em termos gerais, historicamente, os média só começaram a preocupar-se com a “música do mundo” – como novos lançamentos para os expositores – nos anos 1980, com Johnny Clegg e Sawuka, por exemplo. Mas o movimento de descoberta e distribuição das músicas tradicional e popular é tão velho como o homem. Sobre isto, Patrick Frémeaux tem uma teoria interessante: “Demo-nos conta de que”, explica, “do ponto de vista histórico, a fusão entre culturas se iniciou sobretudo com o advento do transporte marítimo. Assim, podemos ligar a música do Samba do Brazil, do Son de Cuba, do Béguine de Fort-de-France, do Jazz de Nova Orleães, ao negócio triangular de escravos nos séculos XVII e XVIII. Esse negócio iniciou-se num porto europeu, com rota por África para comprar seres humanos futuros escravos, a troco de adornos baratos de vidro, tecidos, fitas… Esses homens eram então levados para as Antilhas ou para a América para serem vendidos. Produtos exóticos (fruta, especiarias, fibras, tintas para tingir tecidos…) foram trazidos e revendidos de novo em Bordéus, Guiana e outros lugares. Os portos estão obviamente na raíz de todos os casos de desenvolvimento musical original, onde as culturas africanas permanecem vivas. Há sempre, como noutras regiões colonizadas, ou no Fado em Lisboa, a base de uma mistura musical que não é uma invenção recente.” Nas caixas “Country” da Frémeaux, o tema é ilustrado de forma complementar. É fácil verificar, por exemplo, que a música dos anos 1930 e 1940 reutiliza as melodias – adequando o texto (histórias de cowboys ou de pioneiros) – da música tradicional irlandesa ou até melodias da corte britânica ou dos salões dos séculos XVIe XVII (como aquelas cantadas pelos irmãos Deller). O cantor de Will this cowboy come back from beyond the plains? retoma de novo o tema de Will this sailor, lost beyond the seas, see his homeland again?… Veículos como a voz, a harmónica – o instrumento mais fácil de levar num bolso – o bandoneon dos marinheiros alemães… disseminaram estruturas textuais e musicais pelos portos do mundo, seguindo as rotas utilizadas pelos vários exploradores.
Então a Europa recusou o exotismo musical
“Por outro lado”, continua Patrick Frémeaux, “a música hawaiana era tocada em Berlim nos anos 1930, assim como o eram o Béguine ou o Tango em Paris… Mas, com a Segunda Guerra Mundial, sobretudo por razões ideológicas ou racistas, estas misturas de músicas desapareceram rapidamente. A única música de ‘fusão’ que teve êxito na altura, embora fosse criticada, foi o Jazz. E foram necessárias várias décadas para que a criatividade de toda a música urbana e mista fosse ouvida de novo e reconhecida, e que lhe fosse dado um estatuto que a incluísse, através das nossas produções e das de outras etiquetas, numa discografia e na história da música do século XX. Até há pouco mais de 30 anos, essa história estava limitada a um caminho que levava de Wagner até Boulez e a Stockhausen, adicionando umas poucas e relativamente menosprezadas tradições de canções e danças urbanas de Paris. A criatividade reconhecida no Jazz não foi reconhecida ou apreciada noutras formas de música.” Com efeito, até ao Tango na altura só outorgavam o direito de ser chamado “entretenimento exótico”, “musette d’alémmar”, e, tal como a musette, sem nenhuma realidade musicológica admitida. O novo estatuto do Tango é um fenómeno muito mais recente.
Devolvendo a estes tipos de Música o seu Valor Original
No entanto, as formas de música que puderam ser escritas (um factor de reconhecimento para as academias) – e mesmo que não pudessem! – têm uma qualidade intrínseca, do ponto de vista musicológico, que é inegável, que as torna fascinantes, mas que passou despercebida durante muito tempo. “Esta é uma das consequências ignoradas”, continua Patrick Frémeaux, “do trauma da Segunda Guerra Mundial, que abafou a música urbana mista dos anos entre as Guerras, um momento de triunfo da música das Antilhas em Paris, por exemplo.” Uma das motivações da Frémeaux & Associés é precisamente voltar a essas fundações, a esses períodos de realização, para colmatar o vazio do seu desaparecimento no pós-Guerra e recriar uma ligação. O objectivo é o de dar relevo a uma riqueza que se justifica plenamente hoje em dia. O mesmo acontece com as tradições ciganas – ao seguir o seu percurso desde Saintes-Maries-de-la-Mer até lugares tão distantes como a Andaluzia, encontram-se de novo melodias, harmonias. “Alguns dos nossos volumes”, especifica Patrick Frémeaux, “tomam esta teoria como base.”
O projecto da Música Tradicional de França!…
…A França tem sido permanentemente um berço que enriqueceu as suas próprias tradições. O “popular” e o “tradicional” estão interligados. Por causa de um relativo complexo de superioridade dos intelectuais franceses, o folklore (no verdadeiro sentido anglosaxónico) tem sido afastado da cultura própriamente dita por muito tempo. É natural que uma abordagem suficientemente científica possa efectuar uma mudança neste estatuto algo negativo. É para um tal passo que esta colecção, que noutros campos está virada para um público mais amplo, tenciona dar o seu contributo…”
Uma produção para todos
Patrick Frémeaux tenta definir o que motiva a sua acção de publicar mais extensivamente. “O público interessante que gostaríamos de ter seria o intelectual, aberto, trans-disciplinar e entenderia o aspecto trans-cultural. Um tal público deve representar 10-20% do público total. O resto do público está obviamente ligado à sua cultura, mas é mais motivado por uma ligação nostálgica ao passado do que a uma vontade de partilhar, trocar, comparar e entender as coisas historicamente… As pessoas que vestem uniformes da Primeira Guerra Mundial, os especialistas nas civilizações indianas, aqueles que salvam uma igreja românica, que se desbruçam sobre manuscritos, que coleccionam discos velhos… mantêm o património. Deve aceitar-se que os ouvintes de música folk tenham uma competência enorme que não leva necessariamente a uma visão dinâmica trans-cultural. Assim, os que ouvem e executam a música folk provavelmente consituem uma sociedade real, mas à-parte e às vezes um pouco rígida. É mais fácil para o editor da Frémeaux & Associés ter um ponto de vista mais amplo. No entanto, a pessoa que, intelectualmente, perceberia ou gostaria de tudo, não existe… As pessoas têm as suas áreas de preferência. Tomemos como exemplo o que motiva o público alvo. As obras completas de Django Reinhardt produzidas pela Frémeaux & Associés inserem-se num Jazz europeu, não americano. Toda esta herança cigana e de tradição oriental que é generosa e mista participa no nosso ideal intelectual. Estas caixas de discos vendem-se, regra geral, a pessoas que entendem o conteúdo de uma forma literal. Portanto, a pergunta é se continuarão a ter saída ao só interessarem a um pequeno grupo de académicos… Quanto a coisas muito antigas, noto que conseguimos manter um alto nível de vendas junto de um público cuja faixa etária não tem nada em comum com esses tipos de música ou esses testemunhos falados. É encorajador.”
Mantendo produtos no catálogo
Um disco normalmente fica disponível unicamente durante dois anos. A característica da Frémeaux & Associés, e, segundo Patrick Frémeaux, a verdadeira aposta sob o ponto de vista económico, é precisamente o oposto. Nunca reduz a gama disponível. O fundador insiste: “Sempre promovemos incansavalmente a colecção (que para nós constrói gradualmente um todo), num catálogo anual a cores, e na Internet. Além disso, tudo está calculado para que possamos continuar a disponibilizar os nossos produtos, mesmo que as vendas sejam muito baixas. Por exemplo, calculamos as coisas de forma a que haja mais plástico do que cartão no álbum. Como consequência, podemos fabricar de novo em quantidades pequenas. Assim, qualquer vendedor de livros ou discos em qualquer parte do mundo pode encomendar um disco à nossa companhia e ter a certeza de que está disponível. A nossa filosofia é definitivamente a de ter a nossa produção disponível ao público. Esta atitude é a base económica e financeira da organização da companhia.” Patrick Frémeaux conclui: “Estimular curiosidade e trazer as pessoas de volta às genuínas experiências emocionais das suas raízes, ou às de outras: esse é o nosso objectivo. Mas é também realizar o ideal utópico de André Malraux, dar vida ao “Musée imaginaire”, a catalogue raisonné do património audio de todas as expressões artísticas e intelectuais. O propósito é de disponibilizar para toda a gente esta enorme herança colectiva; Patrick Frémeaux é um dos seus modestos bibliotecários!”
Tradução : Ivan e Susana MOODY
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